
Desde o dia que te conheci a fundo, percebi que tínhamos alguma ligação inexplicável. Sem poder entendê-la, muito menos contrariá-la, decidi ceder. Ceder a este sentimento, ceder a meus dogmas, ceder às dúvidas...Mas nesta contínua tarefa de ceder, parei para pensar:onde foi que você cedeu?
Não liguei para o que você tinha, nem para o que não tinha. Não quis saber seu cargo, título, nem rótulo. Não vi classe, cor, nem qualquer outra coisa. Vi você, me apaixonei pelo teu ser. Nunca gostei dos vícios, tentei me convencer de que o que eu sentia era mais forte que isso. Então me contive, tentei ser mais espiritualista, tentei abstrair. Juro que ainda é difícil, mas venho cedendo.E eu continuava a me perguntar: onde foi que você cedeu?
Não levei em consideração opiniões alheias. Sempre estive muito convicta que estava apaixonada pelo que você era, não por quem se apresentava. Apesar do estilo de vida diferente do meu, das prioridades que você dava às coisas ao teu redor de forma tão diferente da minha... Estava certa que isto não ia nos afetar. Meus princípios, minhas verdades, minhas crendices e até minha filosofia de vida, sempre destoando da tua. Mas eu tentei acreditar que isso não iria afetar nossa relação, pois se fomos feitos um para o outro, eu poderia aceitar isso também.E em uma contínua tarefa de ceder, parei para pensar: onde foi que você cedeu?
Aí me encontrei longe de mim, errando os mesmos erros do passado e sendo assombrada pelos mesmos fantasmas de antigamente... E aí? Pra onde foi a segurança, a auto-confiança, o futuro, o romantismo, o encantamento e a cumplicidade que nosso amor prometia?
Defina “me fazer feliz”!
Defina “eu ser especial pra você”!
Defina “nós”!
Eu me peguei numa árdua tarefa de questionar as coisas que por mim mesma foram impostas. Talvez mais uma projeção que eu fiz, talvez apenas mais arestas a serem aparadas... não sei.Foi aí que eu pensei que seria bom lembrar de algumas coisas: Lembrar que não vale a pena se esgotar em assuntos que não vão mudar, mas isso não quer dizer que eu vou aceitá-los. Lembrar que “se submeter” não combina comigo. Lembrar que “aturar” não entra no meu vocabulário.
O amor é uma coisa bela, mas é feito de um vidro muito fino. Eu preciso me sentir bem quando estou perto e longe de você, na verdade preciso estar longe, mas te sentindo perto. Preciso ser surpreendida, conquistada e elogiada sempre. Continuamente. Pois o amor é vivo. Nasce, mas precisa crescer para não morrer. Se você não cultiva, ele morre. O amor tem sede, dá trabalho, precisa de atenção...
Mas são tão doces os frutos que ele dá, que vale a pena! Vale a pena ceder, vale a pena mudar. Contanto que os dois cedam, os dois mudem.. O que não é o seu caso.
Abs Rodrigo...



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